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  Colunista                  

   Pe. José Ulysses 

   Perfil:  Missionário Redentorista. Atualmente, trabalha no Santuário nacional de Aparecida-SP

 

                                 

Vivendo o mistério da Encarnação com Santo Afonso de Ligório

 

Quem conhece a composição de Santo Afonso: “Eis que lá das estrelas...” encontra no primeiro verso esta exclamação: “Ó Verbo encarnado, ó quanto te custou ter-me amado!”

Diante do Presépio, o espanto de Santo Afonso transforma-se em encanto. Que maravilha! Deus se encarna, assumindo toda fragilidade da nossa natureza humana. Ele esconde a sua divindade e fica confinado aos limites de tempo e de espaço de uma existência humana. Como é possível? Só existe uma resposta: Deus é amor, ama o ser humano de um modo infinito e a Encarnação representa um ato de loucura desse amor divino. Essa pequenina Criança, deitada numa manjedoura, é a demonstração viva de que Deus tanto nos amou que nos deu seu Filho único (Jo 3,16).

Para Santo Afonso, toda a Revelação cristã é uma história de amor: "Ele nos amou eternamente: - Amo-te com um amor eterno (Jr 31,3). Deus diz ao homem: - Olhe, fui eu o primeiro a amar você. Você não es­tava ainda no mundo, o mundo nem existia, e eu já o amava. Eu amo você desde que sou Deus. Amo você, e desde que amei a mim mesmo, amei tam­bém você!". E cita um texto atribuído a S. Tomás de Aquino: "Deus ama tanto o homem como se o homem fosse o seu Deus e como se Ele, sem o homem, não pudesse ser feliz".

O Presépio marca o início do rebaixamento de Deus para nos conquistar ao seu amor: "Eis aqui um Deus aniquilado! - Es­vaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo tomando a semelhança humana (Fl 2,7). O Senhor do mundo humilhou-se até assumir a forma de servo. Sujeita-se a todas as misérias que os homens padecem."

Santo Afonso imagina a vida corriqueira do Filho de Deus em Nazaré, encarnando cada instante da experiência de uma vida hu­mana. Para que? Para nos amar e provocar uma resposta generosa de amor da nossa parte: “nesta casa de Nazaré, onde o Verbo en­carnado passou o resto de sua infância e toda a sua juven­tude...que espetáculo tocante ver o Filho de Deus vivendo como um servidor nesta pobre moradia. Sai para pegar água, abre ou fecha o negócio, varre a casa, junta os pedaços de madeira para alimentar o fogo, cansa-se ajudando José em seu tra­balho... Tal pensamento deveria nos consumir de amor para com tal Redentor, que se reduziu a este estado de humilhação para se fazer amar por nós”. Deus se  rebaixou até nós para nos elevar até Ele, como se houvesse uma gangorra de amor entre o céu e a terra.

Por isso, ao celebrar o Natal, recorremos à Mãe de Jesus para que possamos corresponder a tão infinito amor: “Ó Maria, minha Esperança, se eu amo tão pouco ao teu Jesus, ama-o tu por mim, porque eu não sei amá-lo assim”.

 

Pe. José Ulysses da Silva.CSsR.

 

 Prática de amar a Jesus Cristo, p.10,n.2, Ed. Santuário, Aparecida 1982

 Prática de amar a Jesus Cristo, p.11,n.6